<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-6092347842548768485</id><updated>2012-02-07T00:23:29.717-12:00</updated><category term='teatro fórum'/><category term='activistas'/><category term='política'/><category term='lisboa'/><category term='teatro'/><category term='criadores'/><category term='porto'/><title type='text'>29 primeiro direito</title><subtitle type='html'>Uma redacção unipessoal, que faz da entrevista, o género por excelência do exercício do Jornalismo</subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://29primeirodireito.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6092347842548768485/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://29primeirodireito.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>André Soares</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07319085469883867190</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>6</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6092347842548768485.post-7174933782279391871</id><published>2007-09-24T04:45:00.000-12:00</published><updated>2007-09-24T04:56:29.344-12:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='activistas'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='teatro fórum'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='política'/><title type='text'>Tens de falar com o Zé Soeiro!</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_ziHI0NwOjsk/Rvfp7LVCtTI/AAAAAAAAAA0/SkUo7FYqGAU/s1600-h/ze+soeira.JPG"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5113813104765089074" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_ziHI0NwOjsk/Rvfp7LVCtTI/AAAAAAAAAA0/SkUo7FYqGAU/s320/ze+soeira.JPG" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Entrevista com José Soeiro, estudante, político, activista&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;De um encontro em Serralves (Porto) saiu esta longa entrevista. É tão fácil falar com ele! José Soeiro já é conhecido no Porto. Demasiado jovem para que se lhe adivinhe a idade, anda sempre de um lado para o outro.&lt;br /&gt;Gosta de ser o Curinga no teatro fórum. Dali retira outras armas para o argumentário político. Ele impressiona pelas qualidades humanas únicas. É militante do Bloco de Esquerda e finalista de Sociologia da Universidade do Porto.&lt;br /&gt;Um dia vamos ouvir falar dele, porque não é um jovem político, nem está a dar os primeiros passos na arte de fazer os outros felizes.&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Como é que tu foste parar à política?&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Pelo facto de a minha família também ser politizada e, desde sempre, haver um pouco essa discussão sobre o que se passa à nossa volta, ajudou. Nós somos sempre socializados num determinado meio!&lt;br /&gt;Na Escola Secundária António Sérgio (em Vila Nova de Gaia) foi quando começamos a fazer coisas em conjunto para mudar o que se passava em nosso redor, o que nos estava mais próximo. Nessa altura fizemos uma lista para a associação, comecei a estar envolvido na associação de estudantes, numa fase em que havia grandes movimentações contra a revisão curricular, o partido socialista estava no governo.&lt;br /&gt;Aí começou a minha politização, por via da escola e também pelo tema da própria escola. Quando nós começamos a fazer as actividades e, nessa altura, já havia um entendimento diferente na forma de tratarmos o problema da educação. Os movimentos eram, na generalidade, contra a reforma, pela educação sexual, contra os números clausus… Nós tínhamos um discurso que era mais de questionamento sobre a escola enquanto instituição. Bastante influenciados por uma experiência com a qual eu tomei contacto que é a escola da Ponte (Vila das Aves, Santo Tirso), que é uma escola que funciona sem aulas, sem testes, sem professores… e portanto, a experiência dessa escola e o questionamento que nós fazíamos à instituição, acho que trouxe uma politização pessoal e para as pessoas que partilharam essa experiência comigo. Nós queríamos ir um pouco mais fundo nas questões e isso notava-se.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na altura a revisão curricular impunha uma aula de 90 minutos e as coisas que se diziam eram “se 50 minutos são seca, 90 são seca e meia”, porque no fundo era aumentar um tempo de aulas que eram em si aulas que não funcionavam, que não faziam sentido. Ou seja, no fundo era preciso questionar a seca que são os 50 minutos. Não é simplesmente mudando o tempo das aulas, mais exame aqui ou acolá… se não mudarmos a escola, não conseguimos ser felizes nesta instituição.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fui-me chegando a tudo o que mexia e me interessava. Estive com os “Antípodas”, que era um movimento anti-praxe, com as Panteras Rosa, com o Bloco de Esquerda. Eu acompanhei o nascimento do Bloco com quinze anos. O facto do Bloco ser uma esquerda nova que tentava agrupar pessoas que vinham não só de diferentes correntes políticas, mas também de diferentes movimentos sociais. O facto de o Bloco ser um espaço de convergência dessa gente toda acho que ajudou muito na minha formação e despertou a minha consciência para uma quantidade de questões que existiam: desde as questões do trabalho, às questões do género, LGBT, ecologia…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;A tua licenciatura ajuda? (está a licenciar-se em sociologia)&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;A minha licenciatura ajuda, mas eu inicialmente até queria Português-Francês, que eu tinha uma paixão muito grande pelo Francês. Pela música francesa, pela poesia francesa… aliás, eu sempre ouvi muita música francesa desde pequenino. O meu pai ouvia muita música francesa e depois eu passei a ouvir muito mais do que ele, Jaques Brel, Leo Ferré. Só que depois fui vendo os currículos dos cursos e fui achando que a Sociologia era uma coisa que me puxava mais.&lt;br /&gt;Alguém dizia, que a visão que a Sociologia nos dá do mundo é uma visão que contraria as evidências, contraria o óbvio. Todos vivemos em sociedade e todos temos um senso-comum de como funcionam as coisas, a Sociologia questiona esse espaço e tenta questionar as ideias feitas. Eu acho que isso foi muito importante para mim. Depois a questão é o que é que se faz com isso e o Marx dizia que os filósofos e os pensadores já se fartaram de pensar o mundo, mas o que se trata agora é de transformá-lo. Acho que minha postura na sociologia foi um pouco essa. É preciso conhecer as coisas, mas se não se traduzir numa vida melhor. Se o conhecimento não for partilhado por quem mais sofre, que é quem menos tem acesso a esse próprio conhecimento. Se o conhecimento não for usado de forma emancipadora, para nos libertarmos de todos os poderes. O conhecimento é uma forma de libertação da opressão, penso eu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu no secundário li um livro fantástico do Bourdieu que é “Os Contra-fogos”, que ele escreve na fase final da sua vida. Bourdieu é um sociólogo extraordinário, sociólogo crítico, mas que sempre manteve as regras do campo científico. Ele achava que o campo da intervenção dele era o campo científico e não o campo político e portanto intervinha com as regras do campo científico. E disse que: aquilo que os cientistas podiam fazer para mudar o mundo era intervir mesmo no campo político com as regras do campo científico. “Os Contra-fogos” são pequenos artigos sociológicos que intervêm no campo político como por exemplo: são os discursos dele de apoio às greves em 95, pelos serviços públicos, dos movimentos dos desempregados… aparentemente seria impossível haver um movimento de desempregados, porque são as pessoas menos mobilizadas, com menos identidade colectiva…&lt;br /&gt;Esse livro foi muito importante e comecei a ler Bourdieu ao contrário do que é normal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Tu fazes uma coisa muito interessante, que é usar o teatro fórum, queres explicar o que é o teatro fórum?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cruzei-me por acaso com o teatro do oprimido. Foi quando fui fazer um intercâmbio à Irlanda e havia uma oficina do teatro do oprimido e começava com um tipo chamado Ian Brioke, que trabalha com o teatro do oprimido e com os labirintos sensoriais e ali começou a contar que o teatro do oprimido nasceu no Brasil na altura da luta contra a ditadura. É um projecto profundamente democrático, porque basicamente pretende que todas as pessoas se apropriem dos meios de produção teatral. O que o Augusto Boal diz que fazendo a história do teatro é que o teatro foi ficando sempre na mão de poucos e que o povo foi sendo submetido à condição de espectador passivo. O que ele diz é que é preciso um teatro que devolva ao povo os meus de produção teatral e em que as pessoas passem de espectadores passivos em especta-actores, ou seja, que passem a intervir na própria realidade.&lt;br /&gt;O teatro fórum tem esta vantagem de misturar a política com o teatro. O teatro político não é um teatro de propaganda que diz às pessoas o que elas devem fazer e eu acho, que isto se aplica à actividade política, em geral… O teatro político é aquele teatro, que permite às pessoas definir quais sãos os seus problemas e encontrem elas próprias, as soluções para esses problemas. Augusto Boal encerra muito bem a questão do teatro fórum recorrendo a um pensamento do Che Guevara, que eu acho que devia ser válido para toda a nossa vida, que é: «solidariedade é correr os mesmos riscos», ou estar disposto a correr os mesmos riscos. Não é nós de forma paternalista dizermos que estamos solidários com estas causas e não estar disposto a ir com elas…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Sentes-te melhor na pele de oprimido ou de opressor?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sinto-me melhor na pele de Curinga, porque fazer de opressor é extraordinário, porque normalmente, as pessoas que fazem melhor de opressores são as mais oprimidas. Porque sabem perfeitamente o que o opressor lhes faz e quais são as técnicas que ele usa. Por isso é que é muito interessante, por exemplo ver as crianças a fazerem de adultos, ou a fazer de professores, porque as crianças têm uma consciência exacta das estratégias que os professores usam para os oprimir ou para os ridicularizar ou para lidar com eles de forma paternalista. O mesmo em relação às mulheres a fazerem de homens. Chega a ser brutal, porque elas sabem exactamente o que é que ouviram e sabem como tornar a vida difícil nesse papel de homem, porque elas já passaram por aquilo.&lt;br /&gt;Mas o papel que eu gosto mais é o do Curinga e porquê? Porque faz a mediação e eu acho que tenho jeito para essa mediação. Pode contudo ser um papel manipulador se as pessoas não tiverem consciência sobre o poder do Curinga, porque ele dinamiza toda a sessão e toma decisões, activa a plateia. Em primeiro lugar o Curinga tem de desenvolver capacidade de escuta e de escuta empática, escutarmos os outros e tentarmo-nos colocar no lugar deles e tentar perceber o que é que eles estão a falar. Depois uma contenção necessária para criar um espaço em que as pessoas se possam exprimir. É bom para mim, porque eu acho que as pessoas se ouvem pouco, colocam-se pouco no papel do outro e isso para mim é muito engraçado e muito importante, porque se nós queremos mudar o mundo temos de mudar com as outras pessoas e se queremos chegar às outras pessoas temos de as ouvir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Há falta de participação política nas pessoas da tua idade?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acho que não tem que ver com a minha idade. Se nós formos ver as estatísticas de participação política os jovens, ao contrário do que normalmente se diz, e eu fiz esse levantamento, os jovens votam tanto como os mais velhos. As taxas de abstenção dos jovens estão na média das outras faixas etárias, por isso jovens participam pouco como os mais velhos. O que eu acho que houve neste país e isso é uma coisa estranha e eu gostava de fazer esse trabalho, como é que um país que em 74 e 75 se apropriou da política e se apropriou do seu destino colectivo e como é que houve um país que fez saltar a utopia dos poemas para a exercer na rua, para ocupar fábricas, ocupar casas, para dizer não, na empresa decidimos nós… como é que essa gente que se envolveu realmente está hoje rendida ao pensamento único, a ideia de que: pá, isto não é muito bom, mas não conseguimos fazer melhor. Há uma certa geração, que fez o 25 de Abril, cujo projecto não resultou. Como é que as pessoas que viveram esse processo revolucionário deixaram morrer esse projecto e hoje estão no poder e a fazer o que nós vemos. A esquerda e o Partido Socialista, em particular. Como é que essa geração os “pachecos pereiras”, os “jorges sampaios”, “jorges coelhos”, como é que essa gente se contenta com tão pouco?&lt;br /&gt;Somos um país atrasado em muitos aspectos! Perdemos rapidamente a memória do que foi esse tempo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Porque é que te identificas com o Bloco de Esquerda?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sinto-me identificado com o Bloco, porque com o que tem de bom e de mau, terá concerteza muitas virtudes e tantos defeitos como qualquer organização mas, eu penso que o projecto político do bloco é isto: dar expressão a esta esquerda nova em Portugal, os novos movimentos, que seja uma esquerda que responda aos problemas de hoje. Que não se renda ao pensamento único liberal, capitalista, que é a esquerda do conformismo do partido socialista. Não só do partido socialista, o situacionismo de pessoas que dizem não há nada a fazer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Quais achas que são as lutas que a tua geração pode interpretar?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acho que há uma luta fundamental que é a precariedade, porque isso é um ponto basilar da condição juvenil hoje. Isso como é uma regressão civilizacional tão grande em relação a todo o discurso sobre o trabalho e a todo o discurso da esquerda sobre o trabalho, que assentava na base de um trabalho para toda a vida, apesar de tudo, de uma certa estabilidade e essa mesma ser o garante de uma data de direitos sociais associados à condição do trabalhador, que foi dando conteúdo à democracia, em que todos somos iguais nas escolhas e nos direitos… portanto eu acho que a luta contra a precariedade, a luta por direitos sociais associados a estatutos profissionais de intermitência como é o caso dos trabalhadores do espectáculo e começa a ser de outros também, os séculos de lutas do movimento operário e que custaram a vida a muita gente estão neste momento a ser destruídos, porque se esta a destruir a base em que eles assentam. Hoje em dia ninguém acaba com o subsídio de desemprego, não acabam com o direito à greve, não acabam com o salário mínimo, no entanto acabam com a base na qual assentam esses direitos. Há por isto um conjunto cada vez maior de pessoas, que apesar de na constituição dizer que têm direito a uma data de direitos, não estão a aceder a esses direitos. Ninguém formula isto politicamente, mas ao generalizar a precariedade é isto que está a acontecer e estamos a voltar de outra forma ao capitalismo selvagem do séc. XIX.&lt;br /&gt;Há outras coisas que são importantes e que farão parte do património das lutas emancipatórias. Uma das lutas com que a esquerda lidou mal no passado é a articulação entre o direito à diferença e o direito à igualdade. Eu acho que a nossa geração é mais sensível e está mais capaz de fazer essa articulação do que no passado.&lt;br /&gt;Há uma outra questão que é essencial que é a questão da ecologia e do ambiente, a destruição ambiental. E isto toca no fundo do capitalismo, na regra do funcionamento do capitalismo que é a criação do lucro. O planeta e a sobrevivência do planeta é contra isto. São por isso princípios contraditórios. Isto coloca-nos uma questão de fundo que é ou achamos que queremos continuar a viver sob essa regra do lucro ou se queremos responder de outra forma. Para resolver a fundo precisamos de viver num mundo em que as pessoas ou empresas não sejam premiadas ao fim de um mês por terem destruído mais o planeta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Quando chegares a um cargo de poder virás cá abaixo?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como te disse, o poder só vale a pena no sentido em que seja capacidade de transformação. Uma pessoa que vai para o poder e que não leva à prática nada daquilo em que acredita então não tem poder nenhum. Para isso não vale a pena! Há uma música do José Mário Branco cuja a ideia é: as pessoas vão sendo consumidas por ilusão de poder e na verdade não transformam nada. A luta pelo poder é uma luta de transformação da sociedade. Quando nós estamos num cargo de representação, nós estamos abaixo das pessoas que representamos. Quem deveria mandar no deputado é o povo e portanto ele está abaixo do povo. Por isso é que a rotação é importante, quem está no poder a fazer um mau trabalho deveria sair de lá.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;nota editorial: esta entrevista foi feita em Agosto, mas por razões de tempo não foi possível editar antes este material jornalístico.&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6092347842548768485-7174933782279391871?l=29primeirodireito.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://29primeirodireito.blogspot.com/feeds/7174933782279391871/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6092347842548768485&amp;postID=7174933782279391871&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6092347842548768485/posts/default/7174933782279391871'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6092347842548768485/posts/default/7174933782279391871'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://29primeirodireito.blogspot.com/2007/09/tens-de-falar-com-o-z-soeiro.html' title='Tens de falar com o Zé Soeiro!'/><author><name>André Soares</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07319085469883867190</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_ziHI0NwOjsk/Rvfp7LVCtTI/AAAAAAAAAA0/SkUo7FYqGAU/s72-c/ze+soeira.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6092347842548768485.post-1720897676869589655</id><published>2007-07-12T12:12:00.000-12:00</published><updated>2007-07-14T15:44:59.850-12:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='criadores'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='activistas'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='porto'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='lisboa'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='teatro'/><title type='text'>НЕ Е ПРОНАЈДЕН ЗАПИС! (Parabéns!)</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_ziHI0NwOjsk/RpbDyuxj-EI/AAAAAAAAAAs/D_fdlZ9hZBk/s1600-h/Avarento+-+ensaios+palco+-+JoÃ£o+Tuna+(6).jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5086468105478338626" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_ziHI0NwOjsk/RpbDyuxj-EI/AAAAAAAAAAs/D_fdlZ9hZBk/s320/Avarento+-+ensaios+palco+-+Jo%C3%A3o+Tuna+(6).jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;( Foto: João Tuna, Teatro Nacional São João, Teatro Praga)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;strong&gt;Entrevista com Pedro Penim, actor, intérprete.&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;O Penim fazia anos. Fui avisado minutos antes pelo produtor do Teatro Praga. Rumaram ao Porto com a peça “Avarento ou a Última Festa”, uma comédia em cinco actos. &lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Pedro Penim é um dos fundadores dos Praga, um projecto à procura, na disputa, no confronto, com polémica. Nasceram tarde, num Portugal cada vez menos interessado em pensar-(se). Uma entrevista de parabéns, nos dez anos de uma estrutura com aquela atitude. Não ficou nada por dizer. &lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;strong&gt;Fazes anos não é verdade?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É verdade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Gostas de celebrar o teu aniversário?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não nada. Não sou nada de celebrações e muito menos do meu aniversário e, normalmente, passa-me assim um pouco ao lado. Quando era criança ainda sentia aquela coisa “hoje é um dia especial!”, mas depois… passa-me ao lado.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Vão telefonar-te muito?&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vão ligar-me muito, mas eu não costumo celebrar nada. Muitas vezes tenho, aquela coisa, como as festas surpresa, que têm graça. Além disso, hoje vou passar o meu aniversário a fazer o espectáculo, que é bom, é engraçado. Mas não tenho nenhuma relação com datas de aniversário, nem com datas nenhumas, em geral.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Bem…&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Faço 32 anos. Já tenho uma idade respeitável.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Dizes a idade para não te associarem ao Disney Channel!&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Olha, aqui (no Porto) ainda falam disso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;No blogue dos Praga, a propósito do espectáculo “O avarento ou a última festa”, vocês escrevem que para Moliére “rir era um meio e não um fim”. Para ti o que é fazer rir?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É muito interessante que as citações, quando são usadas, são sempre em proveito de quem as está a usar. Não é tanto para ver o que era para Moliére, porque isso não interessa nada.&lt;br /&gt;Este espectáculo é uma comédia, uma comédia quase num estado puro e há um objectivo claro de fazer rir. Mas depois, há uma espécie de descolagem da ideia do riso como um momento de alienação, de descompressão do dia-a-dia, aqueles clichés, que normalmente se usam associados às comédias de entretenimento - “venha aqui passar um bom bocado e esquecer-se das desgraças do dia!”. Não é nada disso que se trata, é o contrário.&lt;br /&gt;O que nós queremos fazer aqui através do riso e do humor é criar reflexão como noutro espectáculo qualquer. Isso em Moliére já acontecia usar a gargalhada como um catalizador de alguma coisa que possa ser mais significativa. Não tem que ser necessariamente uma mensagem, nem um objectivo pré-determinado. Como um momento de comunicação com o público, isso provoca reacções, confronto e consequentemente provoca pensamento.&lt;br /&gt;Se isso acontecer através do riso pode até ser mais imediata essa comunicação. Este espectáculo põe isso à prova num ping-pongue constante com o público.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;De qualquer das formas, na estreia, vocês continuavam o texto em cima das gargalhadas do público? Não têm prática para o “timming” da comédia?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pois não. Não somos nem comediantes, nem o José Maria Viera Mendes (autor do texto) é um comediógrafo. Se calhar aqui, há mais uma apropriação de um género, do que nos definirmos como um grupo que faz rir ou que pretende fazer os outros rirem. No caso da estreia há, de facto, uma desadequação entre aquilo que muitas vezes estávamos a dizer e a reacção das pessoas. Depois da estreia foi o contrário nós esperávamos reacção e nada, ficava assim um silêncio esquisito.&lt;br /&gt;Aqui, há também um mecanismo de adaptação a esta sala e isso sim, é muito complicado para nós (Teatro Nacional São João). É a primeira vez que nós estamos numa sala tão grande, tão clássica, com um palco à italiana com dourados, como fala o Ricardo Pais. Aquilo precisa de uma adaptação nossa, diária, àquela circunstância que não é a nossa. Mas essas falhas acabam por ser aquilo que nós somos, porque quando nós apresentamos um espectáculo, aquilo que tu vês está mesmo a acontecer, aquilo é o que é e, não pretende ser nenhuma transposição para outra coisa qualquer. Todas essas questões acabam por fazer parte do objecto final.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;strong&gt;Que dez anos foram estes do Teatro Praga? Foram os preparativos para a Festa?&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Não nada. Se há coisa que não aconteceu foram os preparativos para coisa nenhuma. As coisas aconteceram quase sempre por acaso. O grupo formou-se por acaso, não houve nenhuma ideia pré-estabelecida de como ia ser o grupo. Aliás, nós não fazíamos ideia nenhuma do que era um grupo e muito menos do que era o teatro. Nós formamos o grupo mesmo antes de estrearmos ou de termos experiência de teatro. Então isto nunca teve esse lado programático, temos esta companhia e isto é o projecto da minha vida, agora estou a investir toda a minha energia neste projecto, eu quero que isto seja bem sucedido, isso nunca aconteceu. A partir de certa altura o projecto começou a pedir mais de nós, mais, eventualmente, do que aquilo que nós tínhamos pedido ao projecto. Estes dez anos foram uma espécie de sucessão de acontecimentos, que se calhar, tem muito que ver com a realidade cultural, mais especificamente teatral. Não podes fazer um plano assim muito pré-determinado com objectivos muito delineados senão vais ter grandes desilusões. As coisas foram feitas, sobretudo no início, de uma forma muito adolescente e muito despreocupada!&lt;br /&gt;Agora as coisas acontecem de uma forma mais rápida e mais profissionalizante…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Tiveste formação teatral?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sim. Fiz o conservatório, mas já depois de haver o Teatro Praga. Nós conhecemo-nos num curso de iniciação teatral dos Sátiros, que era um grupo brasileiro. Era um curso, aos Sábados, ia lá três horas e fazíamos umas brincadeiras, depois apresentávamos um exercício final. Então nós apresentamo-nos como um grupo, demos um nome e ficou Teatro Praga, logo aí. Entretanto a coisa correu bem e tentamos fazer um outro espectáculo com o dinheiro de bilheteira que tínhamos ganho do espectáculo anterior. A partir daí a coisa começou a cavalgar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;strong&gt;Neste Avarento vocês trabalham textos que “ocupam um território opticamente correcto, mas de difícil apreensão”. Quem é que se cansa mais, vocês ou o público?&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Quem é que se cansa mais?…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;O Romeu Runa, no final dizia-me que estava de rastos.&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É uma questão física, no caso deste espectáculo. Mas as coisas são postas de uma forma pouco confortável, quer para nós, quer para o público. E, essa ideia de conforto é recusada logo à partida, porque não nos interessa. Interessa-nos um território arriscado. Quando é arriscado, normalmente pressupõe investimento e esse risco pressupõe que possa haver erro e o erro causa angústia. É uma área um pouco movediça e pode gerar esse cansaço, não sei se cansaço, mas tensão, quer ao público, quer a nós enquanto criadores. Quando ia fazer espectáculos noutras companhias o que é que eu sentia? Quais eram as diferenças em relação aos Praga? Para mim estar a fazer espectáculos noutras companhias é como estar de férias, porque não tenho trabalho, as coisas são sempre mais fáceis, mais simples e muito menos preocupadas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;No dia 26 de Junho escrevias no blogue “não me sinto seguro, parece que o chão treme…” Já te sentes mais seguro?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Engraçado uma pergunta dessas… Sim, já me sinto mais seguro, agora… sobretudo aqui no Porto, o público que nos vai ver… percebe-se que há uma criação de expectativa. Ainda por cima um espectáculo feito a partir de Moliére, quando há uma tradição do Teatro Nacional de São João em fazer o Moliére de uma determinada maneira, que não é muito tradicional, mas ao mesmo tempo não muito vanguardista… essa expectativa está criada e há reacções muito díspares... mas em relação à pergunta… sim já me sinto mais seguro. Há aqui uma questão, neste espectáculo, que nos outros não existe. Como há uma equipa tão grande por detrás, uma máquina que ampara, normalmente estás mais dependente de ti mesmo, do que estás a fazer. Aqui estás mais amparado por estas circunstâncias de produção. Num dia como hoje se tivéssemos espectáculo à noite já andávamos a fazer coisas que era preciso fazer. Aqui estamos mais relaxados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;strong&gt;Os famosos técnicos do São João?&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;São magníficos. Não há sítio tão especial em Portugal para se trabalhar, nem há nenhum teatro com as condições que eles têm. Em Lisboa nem pensar e aqui sentes mesmo apoiado enquanto criador.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Com o texto já feito à partida foi difícil questionar o que estavam a fazer?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi difícil para nós. Houve sempre uma grande resistência da nossa parte. Para já encontrar alguém com quem pudéssemos ter essa relação de grupo de teatro e autor, ou dramaturgo ou escritor, que nunca tinha acontecido…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;strong&gt;Vocês gostam mais de pessoas mortas?&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Sim, nós gostamos mais de pessoas mortas, porque são mais fáceis de “violar”…&lt;br /&gt;Neste caso fazia-nos confusão a colaboração com alguém que tem uma função muito específica dentro do processo e que não partilha de tudo o resto. Isto alastra-se a outras coisas como a cenografia, os figurinos. Das outras experiências que já tínhamos tido correram todas um pouco mal. Neste caso com o Zé ele teve uma experiência com o André Teodósio, (Espaço do Tempo em Montemor-o-Novo) o “Super-Gorila”, num espectáculo que fizeram e percebeu-se que com ele havia um entendimento e mais pontos de contacto em relação àquilo que nós fazemos e à forma como ele escreve.&lt;br /&gt;Apesar da segurança que tínhamos, houve muita resistência da nossa parte por não podermos chafurdar naquilo. Mas correu bem, porque foi uma coisa escrita ao pé de nós, por uma pessoa da idade, que escreveu a pensar em nós. Havia uma data de indicadores que fazia com que o processo de escrita fosse interno quase e não essa ideia de um objecto exterior ser convocado para outro objecto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;strong&gt;Gostas do Porto?&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Vou começar por dizer que não gosto de Lisboa. Para dizer, que não gosto do Porto. Não tenho relação nenhuma com a cidade. É uma cidade estranha. Lisboa tem um problema muito grande para uma capital de um país, parece uma cidade morta. O Porto parece-me ainda mais morto que Lisboa. Isso não esperava.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Vocês saem à noite?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sim, aqui à nossa volta não se passa nada. Às vezes tenho a sensação que a cidade não existe, que é uma espécie de prestação de serviços durante o dia e esvazia-se à noite. Em Lisboa também, mas aqui é ainda mais visível. E culturalmente é uma pobreza franciscana. E eu sei que não é por falta de investimento criativo das pessoas do Porto, mas é muito esquisito. Aí há uma diferença em relação a Lisboa. Ali há ainda uma diversidade muito grande, consegues ver coisas completamente diferentes em momentos diferentes e semanalmente há estreias. E o Porto e Lisboa não são assim tão díspares para justificar essa diferença tão abissal em relação à oferta cultural. Há a Casa da Música e o São João… e há uma ideia quase macro-céfala em relação a esses espaços, que até tentam colmatar essa falta de iniciativa de coisas mais pequenas ou até mais “off”… aqui não se sente esse vibração.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Podias dizer que o Porto é uma cidade avarenta?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O presidente da Câmara é certamente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;strong&gt;“Desventrada, insegura”? (trecho da peça)&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Pois, pois, as pessoas ligam sempre isso com o Porto. Mas eu acho que tem a ver com a mentalidade do Porto. Um mal de viver, um mal-viver... E isso é uma coisa política, uma coisa política em relação à cidade! Neste caso destas frases elas não são para o Porto, porque serve para todas as cidades, porque elas são desventradas, cinzentas e inseguras, funciona em qualquer sítio. Aqui parece que cola, com as pessoas que vão ao teatro, porque à partida são mais interessadas, nesta coisa mais política-artística. Se calhar não é nada disso!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Após a estreia houve pessoas a consumir-te alguns minutos e tu no teu blogue citas a Mariana Abramovic que depois do espectáculo tem é vontade de comer um gelado e que não a chateiem. Gostas disso?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Gosto, gosto… se for pessoas que eu conheço vou perguntar o que é que elas acharam, mas não gosto nada de fazer de anfitrião do espectáculo. Mas gosto dessa discussão e dessa interacção. Na Culturgest o que aconteceu com o “Agatha Christie” (espectáculo), depois do espectáculo, havia uma espécie de debate sobre os temas do espectáculo. Essa coisa pedagógica pode ser muito boa ou até ser muito má. Aqui acho que podia funcionar.&lt;br /&gt;Há uma ainda melhor, do Johnny Rotten dos Sex Pistols, que depois dos concertos não quer que ninguém lhe venha dizer nada, nem dar os parabéns, só quer que lhe chupem a pila e acabou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Vocês lá no blogue a certa altura escrevem sobre aqueles que expressam ódio pelos Praga de forma anónima? Acontece muito isso?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agora menos, mas viemos agora da ESMAE (Escola Superior de Música e Artes do Espectáculo) e uma das participantes disse-nos que havia por lá um “sururu” de coisas que se dividiam entre pessoas que gostam muito e aqueles que odeiam e desprezam totalmente. Acho isso um absurdo! Às vezes parece que estamos a fazer uma coisa absolutamente revolucionária, que não o é! Não é de todo. Quando vejo as pessoas a telefonar-me e a perguntar o que é que andas a fazer no workshop, “queremos saber!!” e as discussões muito a quente, porque as pessoas te odeiam. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Fomos fazer um espectáculo à Alemanha, a Colónia, o “Private Life”, tivemos reacções do mais inacreditál, com pessoas a chorar no fim, a dizerem “isto não é teatro!”…e eu adoro quando isso acontece, porque é quase um dever cumprido causar essa reacção epidérmica. Por outro lado faz-me muita confusão que isso ainda aconteça. Se fosse nos anos oitenta onde era possível essa terapia do choque em relação ao objecto artístico!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Vocês acham-se activistas do teatro, se é que isso existe?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não vemos isso como um macro-objectivo. Estamos aqui para desafiar-nos nas coisas que queremos fazer. É um projecto artístico e não de intervenção, é-o indirectamente, mas não tem uma agenda. É um projecto artístico e os espectáculos não são políticos, mas são feitos politicamente e isso faz toda a diferença. Não tem um objectivo político, mas são feitos de tal forma que têm implicações políticas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Vocês fazem residências artísticas para criar?&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;As residências artísticas são uma coisa da dança. São um espaço de criação fora do local onde vai acontecer o espectáculo e o facto de fazermos residências não é propriamente inocente, porque é com as estruturas da dança com quem nós temos a maioria dos contactos, “O Espaço do Tempo”, “A Centa”, “A Transforma”, de Torres Vedras…&lt;br /&gt;O grande apoio do teatro é a dança, que é quase irónico, porque a dança tem muito menos apoios do Ministério da Cultura. O grande investimento no teatro é feito pelas estruturas da dança, o festival “Alkantra”, que começou a abrir-se a outras artes como o teatro e a performance… isso é tão sintomático de como são velhas as instituições teatrais em Portugal e como são pouco maleáveis e pouco empreendedoras. Ou são estas casas como CCB, o São João ou a Cullturgest a investir ou da parte das companhias é um dó de alma, sabendo nós que têm tanto dinheiro e recursos e usam em proveito próprio. Sabendo que no Porto e em Lisboa não há coisas novas, nos anos noventa ainda se acreditava que individualmente ou em grupo surgiam projectos novos, mas nós somos, provavelmente a companhia mais nova a ter apoios anuais sustentados do Instituto das Artes. É ridículo, porque até que apareça renovação é responsabilidade dessas companhias que isso aconteça. Os Artistas Unidos são dos poucos a fazer isso, multiplicam recursos de uma forma pró-activa. Nas outras companhias, seja um trabalho bom ou mau, isso é questionável, parecem casulos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Vais comer um gelado hoje?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vamos ver… mas sim vá… que é que se passa hoje, que não há nos outros dias, as pessoas tratam-te melhor? &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6092347842548768485-1720897676869589655?l=29primeirodireito.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://29primeirodireito.blogspot.com/feeds/1720897676869589655/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6092347842548768485&amp;postID=1720897676869589655&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6092347842548768485/posts/default/1720897676869589655'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6092347842548768485/posts/default/1720897676869589655'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://29primeirodireito.blogspot.com/2007/07/parabns.html' title='НЕ Е ПРОНАЈДЕН ЗАПИС! (Parabéns!)'/><author><name>André Soares</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07319085469883867190</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_ziHI0NwOjsk/RpbDyuxj-EI/AAAAAAAAAAs/D_fdlZ9hZBk/s72-c/Avarento+-+ensaios+palco+-+Jo%C3%A3o+Tuna+(6).jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6092347842548768485.post-4912512332653737278</id><published>2007-07-01T11:56:00.000-12:00</published><updated>2007-07-02T05:33:01.104-12:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='activistas'/><title type='text'>Uma dupla sem medo</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_ziHI0NwOjsk/RohCWuAVAkI/AAAAAAAAAAk/W57iN_nbfP4/s1600-h/P1000288.JPG"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5082385137561567810" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_ziHI0NwOjsk/RohCWuAVAkI/AAAAAAAAAAk/W57iN_nbfP4/s320/P1000288.JPG" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;strong&gt;Entrevista com o André e o Tiago, árbitros e activistas contra a homofobia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;André Verde (18 anos) e Tiago Braga (19 anos) são dois jovens especiais. Constituem o futuro, a geração sem medo, que assume o que é, que tem vontade de aplicar as mudanças trazidas pela geração anterior.&lt;br /&gt;São os dois gays assumidos e implicados na luta contra a homofobia. Para ganharem uns cobres, que paguem as despesas de formação, são árbitros de futsal. Homens do apito, num ambiente, ainda longe de ser aberto à diferença.&lt;br /&gt;Pena não haver mais narrativas destas. Uma entrevista a dois, com argumentos válidos para todos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como é que vocês chegam a árbitros?&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;André-&lt;/strong&gt; Foi através do Tiago. Começava um curso de arbitragem em Fevereiro, acabei por me inscrever durante três meses fiz o curso e no final acabei por entrar na arbitragem, após passar as provas físicas, orais e escritas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Tiago-&lt;/strong&gt; Entrei através de um amigo, que também é árbitro. Sempre gostei de desporto, futebol em particular e futsal, mais ainda. Nunca joguei futsal e gostava de futsal, por isso optei por ir para a arbitragem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Qual é a diferença entre o futebol e o futsal?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Tiago-&lt;/strong&gt; É um jogo mais corrido, onde há muito mais acção. De duzentos jogos que tenha arbitrado há um ou dois que saíram empatados, ou seja, a monotonia no futsal não existe, como há no futebol de onze. É bastante interessante o jogo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Já gostavas de futebol/futsal antes?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;André- &lt;/strong&gt;Não gostava muito de futebol. Praticava outro tipo de desporto. Nunca fui muito ligado aos desportos colectivos, de grupo. Fazia natação e musculação. Acabei por fazer o curso, porque era gratuito, mas também por razões económicas. Trabalho ao fim-de-semana numa coisa desportiva e ajuda-me a pagar a minha faculdade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Vocês são os dois gays assumidos, certo? Conheceram-se faz um ano…&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Tiago-&lt;/strong&gt; Desculpa interromper! Somos assumidos, mas na arbitragem, por razões óbvias não posso ser assumido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Porque é um mundo muito homofóbico é isso?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Tiago-&lt;/strong&gt; Bastante preconceituoso, homofóbico, muito por parte dos dirigentes da Associação de Futebol do Porto, que são os que eu conheço em particular.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;André-&lt;/strong&gt; Na formação nota-se logo. Há um vídeo nas primeiras sessões, que apresenta um árbitro efeminado, que tem umas poses e gestos engraçados. Mostraram-nos o vídeo para nós não seguirmos aquele modo de actuar em campo. O modelo gay. Dizem-nos - isto é aquilo que nós não queremos!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Vocês entretanto também estão implicados na luta pelos direitos das pessoas LGBT (Lésbicas, Gays, Bissexuais e Trangénero)? Vocês fazem parte das panteras rosa?&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;André-&lt;/strong&gt; Fazemos parte das Panteras Rosa do núcleo do Porto. Foi aí que eu conheci melhor o Tiago. E foi aí também que entrei mais no activismo. Nós nas panteras desenvolvemos mais um trabalho contra a homofobia, bifobia, transfobia etc, que é o que existe mais no Porto.&lt;br /&gt;Tiago, tu tens mais passado político que o André?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Tiago-&lt;/strong&gt; Só comecei a estar mais envolvido no activismo há cerca de um ano e meio, por isso, também não é a assim tanto tempo quanto isso. Comecei a gostar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;André, o que é que tu queres fazer?&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;André-&lt;/strong&gt; Para além de produtor de cinema, gostava de ser modelo, de enveredar pela moda. Fazer alguns cursos de formação noutras áreas de que gosto como a fotografia, a iluminação entre outros, que acabam por ser complementares de uma mesma área artística. Gostava de experimentar de tudo um pouco.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Tu estás na fotografia, mas até chegares aí andaste um pouco à procura?&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Tiago-&lt;/strong&gt; Sim, já estive em artes, em científico-natural… decidi desistir de tudo, tive uma crise existencial e no meio disso tudo, a única coisa que sobreviveu foi a fotografia, que foi sempre uma coisa de que gostei. Já vinha do meu avô que era fotografo. Como eu não me estava a ver a trabalhar em nada, não me via em nenhuma profissão, decidi fazer uma coisa que gosto que é a fotografia. Se tiver emprego tenho, se não tiver não tenho, trabalho em cafés, já o fiz, não há-de ser problema!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;André, entraste na Faculdade em Química e agora vais mudar?&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;André-&lt;/strong&gt; Candidatei-me a química, mas acabei por mudar para cinema, porque na realidade, gostava do que estava a estudar, mas não era mesmo isso que me estava a entusiasmar. Não se enquadra de todo com a minha personalidade, por isso, acabei por optar por outro ramo, bem mais sonhador, que é o cinema.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Acham que ainda há muita discriminação em relação aos Homossexuais, Lésbicas…?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Tiago-&lt;/strong&gt; Claro que ainda há muita discriminação em relação aos LGBT e para isso basta sair à rua. Dois homens heteressexuais podem fazer o exercício de dar a mão a outro amigo na rua e verificarem que há ainda muito preconceito. Não é muito difícil ser-se insultado na rua, por causa de um afecto com outra pessoa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;André-&lt;/strong&gt; Existe muita. Foi por isso também que eu me meti nas Panteras Rosa, sobretudo no que diz respeito ao Porto, que em relação a Lisboa está bem pior. No Porto, nos sítios públicos como um shopping ou ruas muito frequentadas do centro, ai de facto, se nós quisermos cumprimentar alguém de forma mais afectuosa, acabamos por ser condenados com o olhar e até, com comentários menos felizes.&lt;br /&gt;O Porto sempre foi e ainda é muito preconceituoso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Como é que acham que isso podia ser combatido aqui, na cidade do Porto?&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Tiago-&lt;/strong&gt; Podia ser combatido se toda gente se unisse: homossexuais, Heterossexuais, Bissexuais… Se toda a gente se unisse nessa luta, rejeitando e repudiando os comentários homofóbicos que existem, atacando esses comentários de forma séria. Se toda a gente se implicasse nisso a discriminação perdia a força. Ia ser mais fácil para nós, que sofremos na pele o preconceito, de sair à rua e podermos ser quem somos, sem termos de andar com uma máscara.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Tiveram que abdicar de alguma coisa pelo facto de serem gays?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;André-&lt;/strong&gt; Agora que me estás a fazer a pergunta não estou a ver. Tive que abdicar de coisas pelos meus familiares, que não sabiam de nada. Hoje, já quase todos sabem, excepto a minha mãe.&lt;br /&gt;Tive que mudar o meu comportamento na escola que frequentava. Se eu mostrasse o que sou, acabava por ser condenado o ano lectivo todo. Imagina quatro anos de curso com uma máscara como disse o Tiago à pouco.&lt;br /&gt;Tirando a escola e a família não me lembro de abdicar de nada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Tiago-&lt;/strong&gt; Todos os dias temos de abdicar de qualquer coisa. Saímos à rua e se passarmos por algumas pessoas não podemos dar um beijo, falo dos “Gunas”, que andam aí. Se nós damos um beijo, meu Deus, somos chicoteados ali. Todos os dias existem situações dessas.&lt;br /&gt;Na escola é impensável um gay revelar-se e isso não dar gozo e troça por parte das pessoas, um inferno para ele…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;É por isso que as pessoas não assumem?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Tiago- &lt;/strong&gt;é por isso que as pessoas não assumem a sua orientação sexual.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;André-&lt;/strong&gt; Aquilo que o Tiago referia das escolas, não acontece em todas! Há escolas em que é mais fácil, sobretudo as artísticas. Não são tão discriminados dentro da escola, mas são por serem daquela escola, fora da escola.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Vocês não têm medo de terem esta frontalidade perante a vida ao assumirem a vossa orientação?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;André-&lt;/strong&gt; No início tinha muito medo. Cheguei a pensar que se quisesse concretizar o meu amor por alguém do mesmo sexo, nunca pensei assumir. Mas, com o tempo comecei a pensar, que se nós quisermos muito, conseguimos ser felizes mesmo, com as pessoas que nos condenam na rua. É possível ter uma relação com a pessoa que a gente ama e quer. O passo mais difícil é querer assumir. A partir daí serei eu próprio e não precisarei da máscara.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Tiago-&lt;/strong&gt; Quando descobri a minha verdadeira orientação sexual eu tive medo. Tive medo do mundo e de mim próprio. Eu cresci num ambiente familiar católico em que há uma sexualidade pecadora. Eu próprio tinha preconceitos em relação à minha orientação sexual, mas depois percebi que amar homens ou amar mulheres é a mesma coisa, são pessoas. Depois veio o medo da família descobrir. Isso também já desapareceu, com o activismo essas coisas acabam por desaparecer. Em relação às pessoas de lá de fora, o único medo que eu tenho é de ser agredido. Só esse. Toda a gente sabe que acontece, já aconteceram muitas vezes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Vocês já alguma vez pensaram em sair do país?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;André- &lt;/strong&gt;Sim. Já temos planos futuros para concluirmos estudos no estrangeiro. O país para onde vamos ainda não está escolhido. Mais tarde veremos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Tiago-&lt;/strong&gt; Ele já respondeu. Eu não quero ficar sempre neste país.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Mas tem que ver com o facto de serem gays?&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;André-&lt;/strong&gt; Há países onde é mais fácil ser-se feliz. Existe uma mentalidade mais aberta, não é um tabu ser-se gay. Para além disso, sei que a profissão que eu quero exercer como o cinema, tenho mais oportunidades lá fora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Tiago-&lt;/strong&gt; Qualquer país para onde formos a homofobia estará presente. Por isso não vou fugir daqui para fugir à homofobia. Mas quando eu for vou continuar a combater lá a homofobia que exista. Eu não quero fugir eu quero combater isso.&lt;br /&gt;Vou sair daqui simplesmente, porque para além das coisas todas Portugal é um logro para se trabalhar. Uma porcaria, não há trabalho e o que há, é mal pago.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Vocês já foram vítimas de agressão?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;André-&lt;/strong&gt; Não. Connosco nunca aconteceu, mas acompanhamos o último barómetro da homofobia das Panteras pela cidade do Porto e verificamos a quantidade de comentários e reacções de uma cidade. Não achei grande piada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Tiago:&lt;/strong&gt; Já me aconteceu ser maltratado na rua. Estava eu a passar com um amigo meu, em frente do Rivoli, não era o meu namorado. A praça estava cheia de gente que devia ir ao teatro. Eu e o meu amigo achamos por bem fazer uma pequena acção para ver os comentários que podíamos ter. Demos um beijo na boca no meio deles. O mais engraçado é que os mais novos, que deviam ser alunos riram-se, mas sem nada de extraordinário a apontar, aquilo para eles era anormal. O que não gostamos de ver foram os professores que acharam aquilo bizarro e a fazerem comentários. Só provou que quem ensina neste pais não está preparado para tal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Se tivessem direito ao casamento pensariam casar?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;André-&lt;/strong&gt; Nós estamos a pensar em casar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Tiago-&lt;/strong&gt; Independentemente de casarmos ou não, acho, que o casamento deveria ser para todos. Isso é básico em democracia. Com o André penso casar. É um contrato que traz regalias e se pagamos os mesmos impostos devemos ter acesso às mesmas vantagens que os casais heterossexuais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Pretendem continuar a arbitrar num futuro mais longínquo?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;André:&lt;/strong&gt; Não. É só mesmo enquanto estiver a viver no Porto e precisar de dinheiro extra para pagar a faculdade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Tiago:&lt;/strong&gt; Eu penso continuar na arbitragem pelas mesmas razões. Eu gasto muito dinheiro com o meu curso. Vou continuar na arbitragem enquanto precisar de dinheiro. Ao princípio estava lá por gosto, mas comecei a aperceber-me que o futebol está podre. Quem manda na arbitragem está podre.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Vocês querem arbitrar juntos?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;André:&lt;/strong&gt; O objectivo é estarmos juntos a arbitrar os jogos. As equipas de arbitragem são constituídas por três árbitros. Nós seremos dois deles.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Que fotografia é que gostavas de fazer neste momento? &lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Tiago:&lt;/strong&gt; Gostava de pegar na câmara e acompanhar uma família que eu não conheço de lado nenhum e fazer o registo fotográfico da vida dessas pessoas. Adorava fazer isso agora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Que filme é que gostavas de produzir?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;André:&lt;/strong&gt; Têm passado muitos projectos pela cabeça. Mas no imediato gostava de fazer um filme sobre as pessoas com quem tenho vivido os meus últimos dias. O Fernando, o Riki, todos aqueles que me têm feito rir, a minha vida é mais feliz com eles. Adorava fazer um filme simples sobre eles.&lt;br /&gt;Outro projecto em cinema era conceber uma obra abrangente do ponto de vista social. Um filme onde as pessoas com diferenças existissem de forma normal, pela riqueza que representam na sociedade. Para mostrar que em todos os sítios há pessoas diferentes, que o mundo tem pessoas com gostos e orientações diferentes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;O que é que achas que daqui a dez anos pode mudar em Portugal?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;André- &lt;/strong&gt;Acredito que vai haver evolução. Daqui a dez anos pode haver solução para os problemas que temos tido como a homofobia e o racismo.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Tiago-&lt;/strong&gt; Eu gostava que daqui a dez anos questões como os homossexuais não poderem fazer uma dádiva de sangue já estivesse ultrapassado. Gostava que os casais homossexuais pudessem adoptar crianças. Gostava que os gays tivessem o direito ao casamento civil. Gostava que daqui a dez anos tivéssemos professores e formadores que dessem nas escolas aulas sobre sexualidade em condições. Gostava que o preconceito diminuísse…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;André-&lt;/strong&gt; Eu também gostava… e que houvessem mais discotecas gays, melhores e mais interessantes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Tiago-&lt;/strong&gt; Em relação às discotecas eu queria dizer que não gosto de “guetos” e daqui a dez anos gostava de poder ir a qualquer discoteca e esta não ser nem gay, nem hetero. Gostava de estar à vontade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6092347842548768485-4912512332653737278?l=29primeirodireito.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://29primeirodireito.blogspot.com/feeds/4912512332653737278/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6092347842548768485&amp;postID=4912512332653737278&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6092347842548768485/posts/default/4912512332653737278'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6092347842548768485/posts/default/4912512332653737278'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://29primeirodireito.blogspot.com/2007/07/uma-dupla-sem-medo.html' title='Uma dupla sem medo'/><author><name>André Soares</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07319085469883867190</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_ziHI0NwOjsk/RohCWuAVAkI/AAAAAAAAAAk/W57iN_nbfP4/s72-c/P1000288.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6092347842548768485.post-296225570804898005</id><published>2007-06-21T15:27:00.000-12:00</published><updated>2007-06-22T14:40:22.024-12:00</updated><title type='text'>A Entranhável Transparência</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_ziHI0NwOjsk/RntCfsiUzdI/AAAAAAAAAAc/zz64m6w04z4/s1600-h/P1000254.JPG"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5078726117088873938" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_ziHI0NwOjsk/RntCfsiUzdI/AAAAAAAAAAc/zz64m6w04z4/s320/P1000254.JPG" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Entrevista com Lurdes Domingues, militante social.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Marquei a entrevista com Lurdes Domingues no seu espaço: o sindicato. Edifício debruçado na Praça da República, com as melhores mobílias dos anos sessenta. Uns minutos mais tarde chegava a protagonista desta entrevista com a sua conhecida boina basca.&lt;br /&gt;Uma mulher de armas, que começou a lutar por um mundo melhor nass pequenas coisas. Chegou ao Sindicato dos Trabalhadores da Saúde, Solidariedade e Segurança Social, porque ganhou consciência das injustiças que estava a ser vítima.&lt;br /&gt;Foi como as cerejas. A partir daí envolveu-se no activismo social e hoje, colabora com diversas organizações na cidade do Porto. Tem um caderno para cada uma delas. Ali aponta todas as informações das muitas reuniões semanais que a ocupam.&lt;br /&gt;Nunca casou e só tem tempo para namorar ao Domingo. Natural de Ramalde no Porto. Seria capaz de correr o país por uma nova causa.&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Nós conhecemo-nos de forma muito diferente. Conheci-te numa organização que luta pelos interesses e direitos LGBT (Lésbicas, Gays, Bissexuais e Transgénero), mas percebi, mais tarde, que fazias parte de mais organizações. A que organizações é que pertences?&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Mais activamente faço parte de duas que é o Sindicato (STSSSS), sou dirigente sindical e sou associada da UMAR, União de Mulheres Alternativa e Resposta.&lt;br /&gt;Faço parte, também, neste momento, do GRIP (Grupo de Reflexão e Intervenção do Porto), que é uma associação que está mais ligada à intervenção local, em termos da educação para a população juvenil. E trabalho em todas as associações que pedem colaboração. Mas não sou associada de todas!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Como é que tu tens tempo para tudo isso?&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;(Risos) Primeiro tenho que fazer bem a minha agenda, tenho que marcar bem as coisas, algumas sobrepõem-se, é verdade. Ah, esqueci-me! Também faço parte de uma associação que é o Núcleo de Centros de Saúde de Aldoar. Essas reuniões são uma vez por mês. Pronto isto é fácil. Normalmente todas as organizações reúnem uma vez por mês e tem-se um dia fixo para isso. Isso é importante por causa da agenda e quando há actividades não vou tanto, não participo tanto. Mas tento sempre estar, não faltar!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Vamos voltar um pouco atrás na tua história. Como é que tu chegas ao activismo?&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Eu acabei o liceu em 79, comecei a estudar à noite, porque entretanto, por questões familiares vi-me obrigada, entre aspas, a ter que trabalhar. Fui para um emprego onde trabalhei com umas pessoas muito importantes, mas não vou dizer o nome, depois tive a trabalhar numa farmácia e, depois, iniciei-me no local de trabalho onde estou hoje.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Que é?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Que é o Lar do Calvário-Carvalhido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Pertence a quem esse lar?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pertence à Igreja. É uma instituição privada de solidariedade social.&lt;br /&gt;Entretanto as coisas alteraram-se um pouco, porque a verdadeira razão, que me trouxe à militância foi, precisamente, aquilo pelo que passei. Eu estive imensos anos nesta instituição a trabalhar imensas horas, a ser explorada. Havia um tratamento diferenciado. Eu não estava habituada a esse tipo de tratamento. A minha família é uma família tradicional, conservadora, mas eu sempre achei que as coisas não deveriam ser assim. Comecei a lutar e a trabalhar para que as coisas se alterassem, nas pequenas coisas do dia-a-dia.&lt;br /&gt;Quando tomei mesmo consciência de que devia lutar, foi quando soube que o salário mínimo na altura era de 7 contos e quinhentos e eu estava a ganhar dois contos, por mês . Trabalhava das sete da manhã, até às nove da noite com um quarto de hora para almoço. Isto durante três anos e meio quatro. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Pronto a partir daí vim saber dos meus direitos, porque eu não aguentava mais. Quando adquiri o meu posto de trabalho, passei a efectiva, aí comecei a lutar pelos direitos dentro da instituição.&lt;br /&gt;Aqui temos de fazer uma nota. Não nos podemos esquecer da época e do contexto, de que como as coisas eram na época. Aquilo era uma instituição muito fechada. Aquilo é uma IPSS (instituição privada de solidariedade social), ou seja, não é de ninguém, mas pertence a uma paróquia, à paróquia do Carvalhido. Em última análise era, e é, uma coisa de todos. Não era do Sr. Padre, nem era meu, era de todos. Nem era do Sr. Engenheiro, nem do Sr. Doutor! Concluindo. Administrativamente aquilo tinha uma hierarquia, mas a forma de funcionamento estava errada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Tiveste resistências nessas mudanças que quiseste propor?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sim. Primeiro tive de saber a que sindicato pertencia. Fui ao da função pública, mas não era o adequado ao sector onde eu estava.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Qual é o sector?&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Instituições Privadas de Solidariedade Social. Mas havia um problema. Como este sector é maioritariamente de mulheres e continua a ser, continua-se a ganhar o salário mínimo nacional, continuam-se a fazer horários muito prolongados. Usa-se o termo voluntariado, boa-vontade, caridade de uma forma abusiva. Eu arranjei o meu sindicato.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Como é que estás hoje nesse emprego?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estou arrumada na prateleira. A partir do momento em que tu defendes os teus direitos, lutas por determinado bem comum não és visto com bons olhos. As coisas neste momento estão um pouco paradas, porque eu tive um grave problema de saúde. Já não tenho aquela resistência que devia de ter. Aqui a questão da unidade entre as pessoas foi muito complicado. Ao início as colegas nem sequer queriam colaborar. Mas depois lá começaram a acordar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Partiste da tua situação concreta. Não tinhas nenhum passado político-partidário?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não. Comecei a ver que era impensável continuar a ganhar aquilo que ganhava, naquelas condições. Ainda hoje eu ganho 409 Euros, que é o salário mínimo nacional, mas há uma diminuição em termos de carga horária.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Ganhaste consciência da injustiça pelo teu passado católico Lurdes? Terá sido isso?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Exactamente. No tempo da minha adolescência até fui catequista. Até tirei o Curso Geral de Catequese durante três anos. A minha consciência política veio da religião, veio da igreja. Então se eu ia à missa todos os domingos, ouvia a homilia que os padres preparavam, o evangelho era uma coisa e o sermão era outra. Às vezes eu sentia contradições. Isso levava-me a reflectir. Sempre fui uma pessoa que pensa muito nas coisas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Não deixaste a Igreja?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Neste momento se me perguntares se sou católica eu repondo que sou sou católica, porque fui baptizada. Mas eu sou cristã. Ser católico e cristão é diferente. Ser cristão amplia, não coarcta a tua maneira de olhar o outro. Por outro lado, o católico faz um lobbizinho e isso sente-se, em termos sociais.&lt;br /&gt;Não se pode comparar um padre com Jesus Cristo. Jesus Cristo foi um actor social, uma pessoa que se empenhou no social e lutou contra o império romano, um padre neste momento não luta contra nada. Alguns padres tiveram um papel importante no Estado Novo, mas neste momento. Agora é só imagem e estatuto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Continuas a ver injustiças hoje, como aquelas de que foste vítima há 29 anos?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sim, mas de uma forma mais subtil, mais diplomática. Se calhar menos dolorosa, mas as marcas ficam. Essas pessoas às vezes não têm noção. As novas oportunidades, que estão a passar na televisão... passo-me dos carretos com aquilo! Eles não valorizam o trabalho, mas tu vais trabalhar para um sítio porque tens vontade, mas sobretudo, vais para ganhar um pecúlio, teres dinheiro para vivere. Tu crias essa expectativa, mas depois, não sais do salário baixo e desmotivas-te.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Qual é a tua função actual no teu trabalho, lá no lar?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Olha… já fui muitas coisas. Quando eu comecei aquilo era para pessoas em estado terminal. Na altura o lar não tinha muitas condições e estava a ser gerido por “irmãs” com uma avançada idade, portanto não estavam dentro das melhores práticas de cuidados paliativos. Isso mexeu muito comigo. As pessoas idosas chegam a uma altura em que estão muito velhas e sofrem. (emoção contida)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;E tu sofres com elas?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu sofro muito. As pessoas estão ali a gemer. É por isso que eu sou a favor da eutanásia, sabes. Quando as pessoas pessoas não têm qualidade de vida nenhuma… desculpa…&lt;br /&gt;(interrompe-se a entrevista por uns minutos)&lt;br /&gt;Deixei os pisos. Não conseguia. Fui para a lavandaria, mas depois de adoecer, como não posso fazer esforços, fiquei nas costuras, na rouparia.&lt;br /&gt;A instituição não encontrou nada mais adequado. Continuo com a minha categoria, que é lavadeira.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Como é que chegas à UMAR? (União de Mulheres Alternativa e Resposta)&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu chego à UMAR por causa do meu trabalho. Porque eu trabalho com mulheres. Enquanto andava no liceu eu dava-me bem com toda a gente, quer com raparigas, quer com rapazes. O meu relacionamento com os rapazes era ligeiramente mais tímido. Mas no final da adolescência, entendia-me melhor com rapazes do que com raparigas. Às vezes eu tinha dificuldades em comunicar com raparigas, não sei.&lt;br /&gt;Fui para a UMAR, quando comecei neste trabalho. Fui para o meio de mulheres e para o meio de freiras, precisava de as entender, não é?&lt;br /&gt;Ainda hoje mantenho a ideia de que as mulheres são assim, porque o ambiente masculino que têm em casa é altamente legitimado. Agora está-se a mudar, sobretudo no campo das tarefas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Nunca casaste?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não nunca. Nunca casei, porque sou muito independente. E nunca gostei que me atirassem coisas à cara. Depois vêm as expectativas, porque eu ainda não ganhei dinheiro para me casar como eu queria, por isso, não me caso. Além disso sou muito alérgica à palavra casamento. Assusta-me.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Como é que olhas para as mulheres depois de teres ido para a UMAR?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Continuo a achar que muitas das mulheres são fúteis. Eu quero lá saber o que os outros têm e vestem. A mim interessa-me pouco. Depois sempre detestei a expressão “à caça de um bom partido”, porque algumas mulheres têm a mentalidade de sair de casa para ter maior conforto, sem ter de se mexer uma palha. Noto que se está a registar uma inversão de marcha. As mulheres estão a voltar para casa, para serem uma “boneca” dos homens. Não acho isso mal, se as pessoas se gostam, mas quando passa o exagero e fica muito visível. Isso é mau!&lt;br /&gt;No início, até tinha aversão à palavra feminista, pensava que eram muito radicais, mas agora acho que todas devemos ser mais amigas. Comecei a entrar e a ler e acho que no fundo todas as mulheres são feministas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Defendeste alguma colega tua?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lembro-me, que as minhas colegas de trabalho, muitas delas, eram vítimas de violência doméstica. E escondiam isso. Eu tentava que elas tomassem consciência que estavam em situação de igualdade. Cheguei a presenciar um valente “estaladão” à porta do meu trabalho só, porque a minha colega bebeu o copo de leite, que tinha preparado para o marido de manhã. Ele não tinha gostado. Estás a ver isto! Ela entrou a chorar, eu, saí cá fora e ainda lhe disse: - ouça lá! Mas isto faz-se?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Gostava que me falasses de outro assunto que eu acho delicioso. Tu colaboras com uma data de associações LGBT, mas tu não és lésbica?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não, não sou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Como é que te vês nesse mundo. Tiveste que aprender algumas coisas?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando foi o fórum social português em Lisboa eu fui a alguns painéis relacionados com o movimento e as lutas LGBT.&lt;br /&gt;Eu conhecia pessoas já, mas para mim era um tema tabu. Eu não gosto de ferir, de fazer perguntas com determinado tipo de intenção. O meu problema era, que eu já tinha sido abordada por uma mulher. E na altura até fiquei com medo, lembro-me disso. Disse-lhe: - desculpa lá, mas não gosto de pessoas do mesmo sexo! Mas agora dou-me conta que essa pessoa era um pouco obsessiva.&lt;br /&gt;Bem, mas em Lisboa foi uma experiência muito interessante. Ouvi o Sérgio Vitorino, Paulo Corte Real, a Fabíola. A UMAR entretanto percebeu que necessitava de dialogar e a fazer com pessoas LGBT, que eu no início nem sabia o que era. Então em Lisboa disseram-me que eu podia fazer esse trabalho. E eu disse: “Eu!”&lt;br /&gt;Comecei a envolver-me e, agora, estou com o GRIP, as Panteras e o Clube Safo. Parecia tudo muito erudito, mas agora estou a aprender muito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Achas que as pessoas se deviam dedicar mais ao activismo?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acho que sim. Muitas vezes este tipo de percurso é mais importante. Estar em organizações não governamentais, em partidos ou até em sindicatos aprende-se muito mais do que numa universidade ou num liceu. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;nota editorial:&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;Esta entrevista durou cerca de duas horas. Tive, por questões de espaço de editar o mais possível. Prometo contudo, voltar à história de Lurdes mais tarde.&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6092347842548768485-296225570804898005?l=29primeirodireito.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://29primeirodireito.blogspot.com/feeds/296225570804898005/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6092347842548768485&amp;postID=296225570804898005&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6092347842548768485/posts/default/296225570804898005'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6092347842548768485/posts/default/296225570804898005'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://29primeirodireito.blogspot.com/2007/06/entrevista-com-lurdes-domingues.html' title='A Entranhável Transparência'/><author><name>André Soares</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07319085469883867190</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_ziHI0NwOjsk/RntCfsiUzdI/AAAAAAAAAAc/zz64m6w04z4/s72-c/P1000254.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6092347842548768485.post-1449721857600996043</id><published>2007-06-15T06:33:00.000-12:00</published><updated>2007-06-21T12:18:09.527-12:00</updated><title type='text'>A energia do Amarelo</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_ziHI0NwOjsk/RnLcusiUzcI/AAAAAAAAAAU/x3sqd1qJSVA/s1600-h/P1000242.JPG"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5076362424787193282" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_ziHI0NwOjsk/RnLcusiUzcI/AAAAAAAAAAU/x3sqd1qJSVA/s320/P1000242.JPG" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;strong&gt;Entrevista com Luciano Amarelo, intérprete, criador.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nesse dia, choveu a cântaros. Seria normal se estivéssemos num daqueles invernos do Porto, onde não pára de chover. Mas não, em pleno Junho, desejando sol encontrei-me com um dos intérpretes e criadores mais completos da nossa praça.&lt;br /&gt;Luciano José de Sousa Amarelo, mais vulgarmente conhecido no meio como “o Amarelo”. Como somos da mesma idade a informalidade por tu, presta-se essencial. Fundador do Teatro Bruto e de outras companhias define-se como intérprete e criador. Pluridisciplinar, faz dança, teatro, clown, desenho de luz, figurinos... Agora está a experimentar a encenação. Não se sabe de onde vem esta energia.&lt;br /&gt;Há muito que tinha vontade de falar com ele.&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;strong&gt;Vamos começar pela tua chegada ao Porto. Como é que vens cá parar?&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Vim da Guarda, com quinze anos para estudar na Academia Contemporânea do Espectáculo (no Porto). Na altura andava na orientação vocacional e tanto no quinto ano, como no nono, os resultados orientavam-me para o teatro. Eu não tinha tido qualquer tipo de contacto com o teatro a não ser na escola, mas sem nunca ter feito nada. Sugeriram-me escolas profissionais e uma delas era a Academia. Disseram-me - “tenta esta, que é uma escola nova”!&lt;br /&gt;Foi um pouco complicado, porque as escolas profissionais não tinham vinculação e eu estava com um pouco de medo. De todas as formas vim cá. A escola tinha dois anos de existência, eu entrei no terceiro ano de vida da escola. Fiz as provas, fiquei. Depois vim para aqui e mudei completamente a minha vida, porque comecei a viver sozinho no Porto e pela primeira vez. Assustou-me no início, porque até aos dez anos eu tinha vivido numa aldeia e dos dez aos quinze tinha estado na Guarda, por isso, ter de deixar a família e viver numa cidade nova é difícil, não é?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;strong&gt;E depois? Acabaste a Academia e ficaste pelo Porto?&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Até ao final do curso fiquei pelo Porto a acabar a chamada PAP (Prova de Aptidão Profissional), foi aí que fundamos o Teatro Bruto, que correu muito bem e fez com que, no fundo, quiséssemos continuar a trabalhar como companhia.&lt;br /&gt;No início os apoios eram só da Câmara, que eram apoios muito pequenos, na prática trabalhávamos de borla, mas pouco a pouco, com persistência começamos a ter apoio dos “Pontuais” (subsídios à criação artística), do antigo Ministério da Cultura, actual I. A. (Instituto das Artes), depois recebemos os plurianual, bianual e agora somos a companhia que menos recebe no Porto. Eles têm mantido a mesma quantia, o que quer dizer que desce o nosso poder, porque o nível de vida sobe.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Então começas com o teatro, mas no teu percurso começas a descobrir o movimento?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu descobri a dança, também no teatro, na escola e, na altura era um dos melhores alunos e de repente, percebi, que mexer-me era a maneira mais fácil que eu tinha de chegar às pessoas. Surgiu ter uma formação com uma professora da Lecoq (Escola Internacional de Teatro Jaques Lecoq) chamada Sandra MladenoviČ (ainda na Academia), que me aconselhou a ir para lá. Já tinha ouvido falar da escola, que era para actores e encenadores, mas com uma componente física muito forte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;strong&gt;Em Paris.&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Em Paris. Consegui uma bolsa da escola, não para o ano que eu queria, por isso fui para Londres, quatro meses, para uma escola muito má (risos). Consegui a bolsa e cheguei lá e percebi, que aquilo era muito complicado, pois de três turmas que entravam só ficava uma turma para o segundo ano, portanto havia uma selecção muito criteriosa. Só ficavam um terço das pessoas. Eu tive a sorte de ficar com mais uma colega da Academia a Sandra Salomé, com quem fiz a escola.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;strong&gt;Quanto tempo é que estiveste em Paris?&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Dois anos seguidos, em 97 e 98. Daí voltei ao Porto, ao Teatro Bruto, mas mais num regime de colaborador externo. Dava algumas dicas quanto ao trabalho corporal, bem como o apoio ao movimento ou como assistente de encenação. A escola foi muito importante, porque abriu imenso o meu leque de trabalho. Descobri que podia dançar. Comecei a criar pontes com a dança e também na criação, porque é uma escola muito forte nessa área.&lt;br /&gt;No meio disto tudo foi muito estranho, porque fiquei para o segundo ano, foi mais um ano fora do Porto. No final fui convidado para fazer uma audição onde fiquei. Tinha que decidir. Ficava de fora do Teatro Bruto mais um tempo, ou ficava em França. Decidi ficar em França e fazer o trabalho (“Butterfly Blues” 1999) de dança-teatro, que durou dois anos. Ia e voltava, durante o tempo da itinerância. Isto fez com que eu começasse a trabalhar com outras companhias e de repente, percebi que mais se aprende mudando de criador ou quem nos dirige. Apanhas as maneiras diferentes com que cada pessoa trabalha, conheces o meio e entendes o que é que é preciso mudar.&lt;br /&gt;Quando cheguei a Portugal senti-me completamente frustrado, porque depois da formação que tive, dos espectáculos que vi e fiz e dos convites que me fizeram e eu recusei, deparava-me com um certo provincianismo.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Os Circolando já andavam por aí?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os Circolando aparecem mais tarde. Na altura também estava a conhecer as pessoas dos Circolando, como a Luísa Moreira (ex-produtora) e iríamos fazer um grupo nós. Mas o que aconteceu foi eu mais a minha colega, convidamos um ex-professor nosso da Lecoq (André Riot-Sarcey) ligado a uma companhia de clown (Les nouveaux Nez) e apresentamos um espectáculo à capital Europeia da Cultura. Foi uma das duas produções nacionais de novo circo na época, os Circolando e este projecto chamado “Quiero-Quiero”, que era um espectáculo clownesco e musical.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Essa foi a oportunidade de trazer aquela mais valia que eu queria. Abrimos um workshop-audição, uma coisa aberta. O encenador, no final, escolheu as pessoas para o espectáculo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Porque é que não ficaste em Paris?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Pois, acho que é por causa desta coisa de eu me sentir português, sentir que pertenço aqui. A nível artístico estava triste por não estar com o Teatro Bruto, porque estava a começar e pouco a pouco, ia saindo, mas tinha vontade de voltar. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Eu entrei como actor somente nos primeiros dois espectáculos, nos seguintes quando chegava não entrava a tempo de integrar o processo desde o início.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;strong&gt;Apesar de aqui ser muito difícil trabalhar?&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Sim. Eu agora brinco. Digo que vou fazer um curso de jardineiro. Dou-me melhor com as plantas. Elas percebem-me melhor e eu a elas. Ou seja, cansa-me, porque o estatuto do artista não existe, fala-se que vão tentar melhorar, mas não se faz nada, a cultura não é uma coisa importante, neste momento, em Portugal. O Rivoli entretanto fechou e ao fechar deixou-se de ver espectáculos de novo circo. Os últimos melhores que eu vi foi lá. De repente fecha também a sala para as pequenas companhias, as outras companhias que têm um espaço ou estruturas alugam os espaços muito caros com o argumento que não têm dinheiro. Estamos a entrar num ciclo vicioso, em que não dá para fazer nada. Mas o teatro é a última coisa que as pessoas nos podem tirar, nem que a gente faça teatro na rua.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;E vão sair à rua?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já estivemos para fechar portas três vezes (Teatro Bruto). Isso é que é um cansaço contínuo. Nós tivemos as reuniões com o I.A. (Instituto das Artes) para pedir apoios, disseram-nos que não era possível e nós dissemos que não era possível continuar se não fechávamos portas e a resposta foi - "Então, fechem!"&lt;br /&gt;Os actores não recebem, as pessoas da produção recebem, porque ainda temos uma estrutura. Estamos aqui e não podemos fazer nada e isto passa ao lado de muita gente. Só resistimos, porque tivemos um mecenas e porque acreditamos no nosso projecto.&lt;br /&gt;Parece haver uma crise, em que as próprias pessoas do meio já não vêem o trabalho dos colegas e acho, que se tem estado a criar uma negatividade em toda a gente e de repente não sei o que se pode fazer.&lt;/span&gt; &lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Como é que foram os anos do Teatro Bruto até agora? Qual foi a última peça?&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Agora foi “Vou mudar a cozinha” (direcção de Ana Luena, uma das fundadoras do Teatro Bruto). O Teatro Bruto organiza-se por ciclos, este ciclo esteve ligado ao tema da viagem, chama-se “Andamentos”, já com baixo orçamento, porque nós tínhamos cinco espectáculos, passaram para três e agora vamos em dois. O primeiro correu bem, numa época em que havia muita coisa a acontecer no Porto, no mês de Maio, mas correu bem. O próximo é uma co-produção com o Festival de Marionetas do Porto e vou dirigir um espectáculo de marionetas, ou seja, a ideia do Teatro Bruto é ir cada vez mais para uma perspectiva pluri-disciplinar. Já não somos uma companhia só de teatro. (espectáculo “Corações em Ferrugem”, estreia em Setembro)&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;strong&gt;Vocês saíram de uma escola e estão sempre à procura é isso?&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Neste momento apostamos mais nas pessoas da companhia, sem nos fecharmos ao meio artístico, porque nós sempre convidamos elementos exteriores, que é uma coisa que poucas pessoas fazem, acreditar nelas e se possível renovar o convite. Agora, neste momento, é durar até ao final do ano, está muito mau com o dinheiro. &lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;strong&gt;Como é que foi trabalhar com esses outros criadores?&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;O Teatro Bruto é muito peculiar. Começamos como um projecto bruto, de Teatro Bruto, porque era um projecto mais ligado ao lado ritual, ao lado etnográfico, antropológico e de pesquisa, nunca usamos espaços e textos convencionais. Depois, houve uma fase em que trabalhamos muito a nível estético tanto a luz, como o som, como o vídeo. Houve uma altura em que se explorou muito as “primárias” (exploraram as cores primárias como base de criação), era o lado plástico da companhia. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Ultimamente, precisávamos mais de um teatro em e que o actor, personagem física voltasse a ressurgir. Aí continuamos a convidar encenadores exteriores ao projecto, porque o Teatro Bruto propõe um projecto base ou um tema a trabalhar pelo encenador convidado. Tentamos sempre impor uma marca ao encenador que vem. Claro que é sempre complicado, porque o encenador traz sempre alguma coisa na bagagem. Neste diálogo e ao fim de dez anos percebemos que nós, como criadores, também temos algo para dar. E é isso que temos feito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Como é que foi para ti seres encenador?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Espera, antes tenho que te dizer que como criador comecei a trabalhar na área da performance e da dança, ou seja como criador, intérprete. Como encenador, encenador, depois de algum tempo no apoio ao movimento, assistente de encenação começou com o “Projéctil”, um novo projecto na Guarda. Convidaram-me para fazer parte de um núcleo duro, com quatro pessoas profissionais ligadas ao meio, que dirigem um projecto com a super-visão do Américo Rodrigues, que é o director do Teatro Municipal da Guarda.&lt;br /&gt;Fiz uma primeira encenação (“E Ou diálogos”, de João Camilo) onde assino também a luz, os figurinos, ou seja, eu de repente, percebo que tenho que combater o meu medo. Eu sempre tive medo, sempre fui cobarde, porque sou um perfeccionista e, às vezes, prefiro não fazer, do que fazer mal, é um bocado estúpido! Mas depois deste desafio em que além de encenador, também entro como actor eu disse: - “se fazes isto tudo estás pronto”!&lt;br /&gt;A outra encenação foi um convite do Teatro Universitário do Porto, que teve agora uma reposição e que teve grande visibilidade, que é o “Cara de Fogo”. Um espectáculo interessante, num espaço não convencional. Os actores eram mais do que as personagens e então deu-se um desdobramento das personagens. Uma das coisas que funcionou foram os espelhos no espaço, em que se dobravam as cenas. H&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;avia sempre um trabalho de multiplicação, não só dos papéis, mas também, do espaço e das cenas no espaço. E depois para cada tipo de trabalho, eu tento trabalhar de forma completamente diferente. Um espectáculo é uma coisa única.&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Que autor gostas mais de ler?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Olha eu na Academia, quando descobri Becket, gostei muito, porque tem a ver com o meu universo. Eu acho que sou considero-me absurdo-poético. É contemporâneo, toca em temas como a morte, o amor, é universal, mas também teatral e tem um lado “clownesco” que é uma coisa que eu gosto de explorar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;O que é que a França te ofereceu artisticamente, que Portugal não oferece?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O trabalho específico, mas muito completo. Na Lecoq, por exemplo, as pessoas saem de lá, tanto fazem circo, como dança, trabalhos de clown, técnicas e estéticas teatrais desde o melodrama ao absurdo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;strong&gt;Aqui nas escolas isso não se aprende?&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Isso não se aprende. Eu aprendi com essa professora da Lecoq uma técnica que são os bufões. Aprendi bem isso durante duas semanas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;strong&gt;O que é que são os bufões?&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;São corpos exagerados, em que tu exageras o teu corpo, crias um mundo grotesco com o teu próprio corpo. Os bufões são divindades, mas são como seres, que vêm à terra para gozar com a humanidade. Pegam em temas como a religião e gozam, fazem uma sátira sobre isso.&lt;br /&gt;Há outras técnicas de máscara como a “Larvar” que é uma espécie de pré-mascara, não tem uma forma definida, está a evoluir para um estado mais definido, mas não chega lá. É uma larva de máscara. A partir disto entendes o acto de criar e podes escrever teatro. Estás lá para aprender, mas sobretudo para fazer e o acto teatral tem imensas regras. Lá, eu aprendi a ser prático. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Eu tenho dado formação e dizem-me que aprendem mais numa semana comigo do que em três anos de curso. Essa bagagem permitiu-me estar num acto constante de criar. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;p&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;/span&gt; &lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt; &lt;/p&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Trebuchet MS;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Trebuchet MS;"&gt;&lt;strong&gt;Nota Editorial:&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Trebuchet MS;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Trebuchet MS;"&gt;&lt;strong&gt;Voltei a emcontrar-me com o Luciano para corrigir alguns erros e melhorar algumas referências no texto. Estava tudo muito confuso. É sempre a oportunidade para melhorar esta publicação.&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6092347842548768485-1449721857600996043?l=29primeirodireito.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://29primeirodireito.blogspot.com/feeds/1449721857600996043/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6092347842548768485&amp;postID=1449721857600996043&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6092347842548768485/posts/default/1449721857600996043'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6092347842548768485/posts/default/1449721857600996043'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://29primeirodireito.blogspot.com/2007/06/energia-do-amarelo.html' title='A energia do Amarelo'/><author><name>André Soares</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07319085469883867190</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_ziHI0NwOjsk/RnLcusiUzcI/AAAAAAAAAAU/x3sqd1qJSVA/s72-c/P1000242.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6092347842548768485.post-5283637908637074873</id><published>2007-06-08T05:23:00.000-12:00</published><updated>2007-06-08T05:58:48.477-12:00</updated><title type='text'>À procura de Richard</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_ziHI0NwOjsk/RmmTbciUzbI/AAAAAAAAAAM/lvPHcntHOW8/s1600-h/foto.JPG"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5073748554935487922" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 330px; CURSOR: hand; HEIGHT: 233px; TEXT-ALIGN: center" height="237" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_ziHI0NwOjsk/RmmTbciUzbI/AAAAAAAAAAM/lvPHcntHOW8/s320/foto.JPG" width="375" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Entrevista a Richard Zimler, escritor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O dia era de sol. Para não chegar atrasado, acabei por ir uma hora antes. O ponto de encontro era na confeitaria Tavi e com o escritor norte-americano Richard Zimler. Com 51 anos, continua a apostar no romance histórico, narrativas de pessoas reais e inventadas. &lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Em Setembro próximo, sai o último romance "A Sétima Porta", uma história que nos leva a Berlim dos anos 30.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Trebuchet MS;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Trebuchet MS;"&gt;Começo este projecto de jornalismo mais pessoal pelo Richard, porque desde a última entrevista, em Lisboa, a propósito do livro "Goa ou o Guardião da Aurora", ficaram muitas questões por responder. Além disso, gosto imenso da escrita deste homem que trocou São Francisco pelo Porto. Uma entrevista, que pode dar a conhecer novos aspectos de um delicioso escritor empenhado em entender o presente através das histórias do passado.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Trebuchet MS;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;strong&gt;Richard Zimler, está há dezasseis anos em Portugal. Já se sente português, depois de se ter nacionalizado? [Richard Zimler é cidadão português desde 2002].&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Boa Pergunta. Sou cidadão português de facto, e como não há cidadãos portugueses de segunda, eu penso que sou um português como qualquer outro. Eu penso que sim, embora o conceito europeu de cidadania europeu ser completamente diferente do americano. Ou seja, nos Estados-Unidos um boliviano, um peruano que consegue a cidadania há cinco minutos é tão americano como George Bush, ou como alguém que vem da famílas do May Flowers, como os puritanos. Na Europa não é bem assim! Depende de quantas décadas e séculos a sua família viveu naquela cidade, ou naquela terra. Prova disso é o facto de eu não ser considerado um escritor português. Sou considerado um escritor estrangeiro, que é uma situação híbrida e curiosa para mim. Não sou pessoa de ficar chateado, mas tenho a nacionalidade portuguesa e não sou escritor português, porquê? Porque não escrevo em português? Então ser português tem a ver com a língua e não com a cidadania? Eu não concordo com isso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Como é que chega a Portugal?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É muito fácil. Em 1978, em Dezembro, conheci um cientista português chamado Alexandre Quintanilha. Na altura ele estava a fazer um pós-doutoramento na Universidade da Califórnia e conheci-o num café de São- Francisco e, apaixonei-me por ele e ele, felizmente, apaixonou-se por mim. Desenvolvemos uma relação, que ainda hoje mantemos, depois de quase 29 anos. Aqui começa a minha ligação a Portugal, apesar de ele ter nascido em Moçambique.&lt;br /&gt;Em 1989, um dos meus irmãos mais velhos faleceu com complicações de HIV-Sida. Eu tinha acompanhado a doença dele durante vários anos e nos últimos dois, as coisas começaram a ficar muito complicadas e difíceis. Quando ele morreu no dia 6, de Maio, de 89 eu fiquei bastante traumatizado. Não só por nós sermos muito íntimos, mas por haver uma sintonia de identidade com ele. Eu cresci com ele no mesmo quarto.&lt;br /&gt;Quando ele morre eu começo mostrar alguns sintomas de doença mental. Por exemplo, lavava as mãos milhares de vezes ao dia, sintomas de stress. Eu tinha estado anos a lidar com a doença, com a família, os amigos, os médicos, no final, eu era o gerente do meu irmão.&lt;br /&gt;Nessa altura o Alexandre disse-me que, se calhar era melhor a gente mudar para Portugal, para começar de novo, num sítio onde ninguém falasse de SIDA. Porque na Baía de são Francisco era impossível, porque foi lá que mais cedo se sentiu os efeitos da SIDA e havia uma nuvem estranha por cima da cabeça de toda a gente: heterossexual, homossexual, homem, mulher, pais filhos.&lt;br /&gt;Mudamos em Agosto de 95, felizmente, para começar de novo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;E conseguiu, de facto, começar de novo?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Às vezes, eu digo que Portugal salvou-me a vida! Não era um gesto particular de uma qualquer pessoa em Portugal, era o facto de eu sair de uma situação insustentável, para um sítio, onde tudo estava mais ou menos calmo. A minha adaptação foi difícil, os primeiros anos foram muito difíceis. Ainda não estou completamente adaptado, por isso é que eu digo “entre aspas” que foi muito difícil o choque de culturas, relações pessoais com outras pessoas, em termos de trabalho, porque entretanto eu comecei a ensinar na Escola Superior de Jornalismo, ou seja, tudo isso ajudou-me a perceber (eu era muito provinciano, apesar de achar que não), que as pessoas de um outro país podiam pensar coisas completamente diferentes sobre as coisas mais profundas como a morte, a vida, solidariedade, tolerância, intolerância, crueldade, traição, amizade. Eu quando cheguei a Portugal eu não percebi logo as acções, os gestos, a maneira como eles lidavam com os colegas da escola, sobre tudo…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Disse até numa entrevista que o que mais o chocava era os portugueses não revelarem o seu intimo nas primeiras abordagens?&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;O português é muito mais fechado que o norte-americano, para melhor ou para pior, não estou a criticar. Mas isso fazia parte da minha maior dificuldade inicial. Na América as pessoas são muito informais, depois de o conhecerem vão-lhe dizer tudo sobre a vida, que ele tem herpes, que a mãe lhe está a chatear a cabeça, que perdeu o emprego e que quer um trabalho noutra coisa. Bom, ele vai contar tudo o que é muito chato, mas o português não diz nada, fala facilmente da arte, da política e do desporto, mas sobre o que ele pensa, o que está a sofrer, alegrias, paixões, não, disso não diz absolutamente nada. Penso que a próxima geração, as pessoas mais novas estejam a mudar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Mais informais?&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;É, mas foi muito difícil, porque com a minha formação de norte-americano eu não consigo ainda hoje, estabelecer uma relação de amizade real, sem falar das minhas coisas intimas, e não estou a falar de sexo, estou a referir as dificuldades que eu tenho, as alegrias, as tristezas, de tudo. Eu não consigo falar de política e estabelecer uma relação íntima, ou de desporto, é impossível.&lt;br /&gt;Em termos de relações superficiais também foi muito difícil, porque quando um picheleiro diz "sim", ele se calhar quer dizer "não". Ou seja, -“o senhor vai aparecer amanhã às nove para concertar a pia?”, e ele diz -“sim às nove da manhã estou lá”. Às nove ele não aparece, às dez eu ligo e ele está sem tempo e marca para o outro dia. Isso é uma coisa que para mim é incompreensível, eu não sabia lidar com isso, este fazer tudo em cima da hora.&lt;br /&gt;Ainda hoje não consigo lidar com isso e por isso é que recuso trabalhar em equipa, porque eu sei que num grupo de seis pessoas, dois ou três vão meter água.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Nunca foi acusado de ter ficado menos americano, por estar a viver na Europa?&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;O que me acontece a mim é muito simples e isto pode suar pretensioso, não porque eu falo disto e daquilo, mas sim, por dar a minha opinião de uma forma que pode parecer bizarra.&lt;br /&gt;Só para dar um exemplo, há uns anos queria fazer uma entrevista à Susan Sontag, uma grande pensadora americana, filosofa, péssima romancista, entre parêntesis. Estive com ela e achei as opiniões dela e as reacções dela, pelo menos em relação a mim de um provincianismo total. Ela tinha os preconceitos dos nova-iorquinos sobre tudo. Dos nova-iorquinos dali. Daquela gente sofisticada.&lt;br /&gt;Eu pensei, esta Susan Sontag é uma provinciana. Ela fez-me uma coisa que é super nova-iorquina que é analisar a minha pergunta e as razões pelas quais eu fazia a pergunta. Todos os sítios têm estas coisas. Qualquer pessoa, por mais sofisticada que seja pode cair na ratoeira de ficar presa no seu meio.&lt;br /&gt;São provincianas, porque não tiveram experiência no estrangeiro. Por isso é que eu digo a toda a gente, passa um ou dois anos no estrangeiro, porque vai com certeza mudar as tuas opiniões! Como a célebre frase do Bob Dilan “I was so much older than i´m jouger than that now! Quer dizer que sou mais jovem agora do que há vinte anos, porque tenho mais dúvidas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;É recorrente na sua literatura temas como as migrações, os êxodos, a viagem, sobretudo dos judeus, já terminou a sua fase sefardita?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acho que não. Acabei de publicar em Inglaterra o quarto volume, daquilo a que se chama o ciclo sefardita, eu digo ciclo, porque não são sequelas, são sim portas onde qualquer leitor pode entrar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Andam à volta de uma família, certo?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sim, da família Zarco. O quarto chama-se “ A Sétima Porta” e o livro vai ser publicado em Portugal em Setembro. Não sei se vou escrever um quinto, mas acho que sim, porque o tema ainda me interessa.&lt;br /&gt;Mas eu não cuido muito da minha carreira de forma estratégica, eu escrevo o que sou no momento, o que me apaixona, eu se quisesse ter tido mais sucesso eu planeava tudo e teria planeado tudo de novo e melhor, com uma estratégia comercial.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Diz que começa a escrever a partir do memento em que quer denunciar uma injustiça. É isso que acontece com este “A Sétima Porta”?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sim. Eu sempre tive ideia, como área de abordagem no futuro escrever ou pesquisar, pelo menos, a esterilização e depois a matança de pessoas deficientes na Alemanha dos anos 30. Uma das primeiras coisas que os nazis fizeram depois da eleição de Hitler em Fevereiro de 33, foi passar leis sobre pessoas de genética inferior. Entre aspas, tudo entre aspas. E isso sempre me interessou muito, porque é sempre muito pouco falado, mas é uma chave para compreender, não só a estratégia dos nazis, mas uma certa mentalidade, que é ainda comum no nosso mundo. Eu sempre estive curioso em relação a este tema, mas eu não sabia muita coisa, tirando as histórias do holocausto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;A ideia é conhecer melhor a história de outros grupos, também eles vítimas do nazismo?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Exacto. Então fiz umas pesquisas e felizmente na última década foram publicados alguns livros muito bons, com alguns pormenores. Porque antes era muito difícil encontrar informações sobre surdos-mudos que foram eliminados, pessoas deformadas, pessoa com epilepsia, pessoas consideradas esquizofrénicas, débeis mentais, muitas vezes, autistas. Hoje em dia toda a gente sabe que uma pessoa autista pode ter uma vida independente. Fiz a pesquisa e comecei a escrever.&lt;br /&gt;Então, o que ficou foi um romance sobre uma família, sobretudo uma jovem de catorze anos que se chama Sophie, que vive em Berlim, nos anos trinta e o que acontece a ela e a um irmão mais novo que é autista.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi uma experiência muito importante para mim, porque aprendi muito e consegui, penso eu, abordar um tema muito pouco falado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Teve que ir a Berlim para fazer pesquisa?&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Fui duas vezes a Berlim e consegui, graças à Internet, um guia de 1928, da cidade de Berlim, que tinha mapas e informações sobre hotéis e cafés e restaurantes e teatros. Então eu consegui andar em Berlim e ver no mapa o que estava lá há oitenta anos e o que está lá hoje. E há bairros que não mudaram nada. A família da história vive num bairro que se chama Prenzlauer Berg, que está tal e qual como estava nos anos 30.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Hoje é um bairro "trendy" de Berlim?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Muito engraçado isso. É um dos bairros "trendy". Eu estive lá em 90, logo após a queda do muro de Berlim e estava muito menos na moda e tinha um aspecto pós guerra, muito pobres os cafés, muitos edifícios estavam ainda destruídos. Hoje em dia está na moda. Gosto muito daquele bairro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Qual é a rua da família da Sophie?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela vive na esquina entre Marienburger Strasse e Prenzlauer Allee.&lt;br /&gt;Ainda restam zonas nas periferias do bairro onde vivem famílias que vivem lá há oitenta e tal anos, cem anos, com pequenas lojas, às vezes pirosas com coisas de leste, com preços baixos.&lt;br /&gt;A Sophie vive lá com a família, a escola está ao lado e a Sinagoga está ali, a Reichstrasse Sinagogue, procurei andar por ali percorrendo quilómetros. Como assim os outros bairros, como a zona de Unten den Linden, que era o centro de Berlim nessa altura, a ilha dos museus.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;A família é judaica?&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Não é cristã, mas o pai começa o romance como comunista. A jovem Sophie também tem aqueles ideais, ela adora o pai, mas vai ficar desnorteada quando logo após a eleição de Hitler em 1933, muda de comunista para nacional-socialista, como centenas de milhares de comunistas, para preservar a vida, evidentemente.&lt;br /&gt;De um momento para o outro o pai recomenda-lhes, vocês têm que esquecer tudo do passado. “Tudo do passado incluindo eu”, diz ela. Então é muito complicado para ela e o irmão e aí nasce o primeiro conflito do livro, porque ela, como quase toda a gente da Alemanha desse tempo, teve que desenvolver uma personalidade pública e uma privada. Ela não podia falar de política, nem com os pais! Então ela acaba por desenvolver uma relação com amigos e vizinhos, mas tudo tem de ser secreto, porque não pode falar disso com muita gente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Berlim aparece como nova cidade nos seus romances? No último “À procura de Sana”, esteve em Haifa, Bolonha e Paris. Há alguma ligação com Portugal, neste romance?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sim, desculpe. Eiseck, o vizinho dela, que é fantástico, é alfaiate, mas também místico, é muito amigo dela, é muito mais velho, desenvolvem uma amizade muito bonita, penso eu e ele é um Zarco. A família dele vinha de Istambul, o pai dele casou-se com uma alemã de Berlim, então ele fala um português mais ladino. Fala português, alemão, yidish, daí a sua relação com Portugal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;A sua profissão de professor ajuda-o na criatividade, na procura de novos personagens e situações? &lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Penso que não. A única coisa que me ajudou no jornalismo é que, como fui treinado para jornalista é um bom instrumento para escrever, e escrever muito e sinteticamente, e fazer pesquisa. Acho que é um bom pano de fundo para qualquer romancista.&lt;br /&gt;A única coisa que me ajudou como professor é que comecei a ficar muito mais à vontade na frente das outras pessoas. Hoje em dia estar numa livraria, num teatro a fazer um discurso sobre a minha escrita ou o meu trabalho, não me põe nervoso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Que significado é que têm os prémios literários?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu tenho poucos e não são muito importantes. É um encorajamento no fundo. Agora eu tenho 51 anos e não sou tão ingénuo como era e sei que muitos dos prémios têm a ver com situações políticas e pessoas que têm lobbys por detrás deles. Eu adorava ter mais prémios, mas nunca vou ter, porque não tenho nenhum lobby por trás de mim. Eu nunca seria apoiado pelo governo português, porque não sou considerado escritor português.&lt;br /&gt;O escritor que não tem o apoio de um governo ou do Ministério da Cultura está posto de lado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Mas o José Saramago não teve o apoio do governo português e chegou a Nobel?&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Mas teve o apoio de uma entidade também poderosa como o partido comunista.&lt;br /&gt;Não estou alinhado com nenhum partido, não quero. Eu não estou a dizer isto com qualquer amargura. Estou muito à vontade com a situação. Depois de alguns anos eu sei que o que acontece com alguns escritores tem a ver com o que acontece nos festivais de literatura.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Portanto não pretende alterar os seus ritmos pessoais?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Às vezes quando fico frustrado. O livro sai e vende bem, o livro sai e vende mal, eu fico frustrado. Se eu conhecesse o editor do New York Times, se eu conhecesse o editor do El País, meteria a cunha e teria mais vendas! Podia fazer mais um esforço para conhecer mais pessoas, ir a jantares nos festivais. Mas eu só tenho uma vida e tenho muito compromissos, tenho de escrever e por outro lado tenho o Alexandre.&lt;br /&gt;Nós escritores, temos essa experiência, de ver os mesmos escritores nos festivais a fazerem graxa aos editores literários. Eles conseguem. Funciona muito bem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Chamaram-lhe o Umberto Eco português?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Isso veio de uma resenha critica que saiu no Spectator, em Inglaterra, penso eu, um jornalista fez a comparação. Eu acho que “o Último Cabalista de Lisboa” foi publicado numa altura em que havia poucos romances históricos de qualidade e a referência era Umberto Eco, por causa do “Nome da Rosa”. Pela qualidade eu fui comparado, mas hoje em dia temos uma explosão de romances históricos. Eu fico lisonjeado, evidentemente, mas confesso que “O Último Cabalista de Lisboa” tem muito pouco que ver com o “Nome da Rosa”, para melhor e para pior.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Há alguma personagem que tenha vindo ter consigo mais tarde, depois de terminado o livro? &lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sim. Bom, eu tenho uma vantagem em relação ao leitor, porque depois de fechar a última página infelizmente, tem de continuar a vida sem os personagens. Eu não, eu posso continuar a sonhar em “Meia-Noite”, que foi um personagem que me marcou muito, ou neste a “Sophie”. É uma vantagem, porque posso pensar o que é que o “Meia-Noite” diria nesta situação. Posso continuar a pensar que ele é um ser vivo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Escreve originariamente em inglês, depois fazem-lhe a tradução para português?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sim. Um tradutor profissional, escolhido pelo editor, faz a tradução. Eu faço uma revisão muito cuidadosa e também tenho um amigo meu, que faz uma revisão e a minha editora Maria Piedade Ferreira, faz uma revisão também. Temos três revisões, porque senão o livro sai com muitos pequenos erros e alguns erros grandes. Todos os livros que estão nas livrarias em que o tradutor não consultou o escritor e o escritor não domina a língua, saem com imensos erros. Então eu penso nos meus livros publicados em polaco ou em russo, meus deus!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Que escritor português gostaria de entrevistar?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Gostaria de voltar a entrevistar o Al Berto, numa viagem ao passado. Conheci o Al Berto em 1995, porque foi ele que foi escolhido pela minha editora para apresentar “O Último Cabalista de Lisboa” e fez uma apresentação magnífica. O meu português na altura não era tão bom e eu não aproveitei essa nossa relação. Eu perdi essa oportunidade pela minha timidez.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Que escritor americano gostaria de entrevistar?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu acho que seria muito interessante fazer uma entrevista a Philip Roth, não tanto pela literatura, mas sobre política.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6092347842548768485-5283637908637074873?l=29primeirodireito.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://29primeirodireito.blogspot.com/feeds/5283637908637074873/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6092347842548768485&amp;postID=5283637908637074873&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6092347842548768485/posts/default/5283637908637074873'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6092347842548768485/posts/default/5283637908637074873'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://29primeirodireito.blogspot.com/2007/06/procura-de-richard.html' title='À procura de Richard'/><author><name>André Soares</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07319085469883867190</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_ziHI0NwOjsk/RmmTbciUzbI/AAAAAAAAAAM/lvPHcntHOW8/s72-c/foto.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry></feed>
